quinta-feira, 23 de julho de 2009

Analisar as Fontes

"Todo historiador deve ler os documentos que lhe caem nas mãos, amarrado ao mastro da mais absoluta desconfiança."

Com estas palavras, Plínio José Freire Gomes chama a atenção do estudioso para a necessidade de avaliar as condições em que foram produzidas as fontes utilizadas numa pesquisa. Embora o artigo se refira a investigações sobre a inquisição, sob o título Brincando com o Fogo: o acervo do Santo Ofício como fonte (só) para Historiadores o autor alerta para situações que podem ocorrer em muitas outras circunstâncias. E conclui afirmando que é uma tarefa delicada porque a documentação do Santo Ofício traz em si uma carga muito negativa.

No sentido inverso, um levantamento feito nos jornais de Leopoldina da época em que foi criada a Colônia Agrícola da Constança apresenta uma aura romântica em torno de alguns imigrantes que viviam na cidade. Seja na coluna propriamente social, seja no noticiário, a profusão de adjetivos forma uma visão muito diferente do que transparece nas memórias das famílias de imigrantes. Em um dos casos analisados, o articulista transformou um camponês quase em estadista.

Acreditamos que não é necessário usar de subterfúgios para tratar dos nossos imigrantes. A maioria era gente simples que aceitou o contrato sonhando com a aquisição de terra, situação inviável na pátria natal. Aqui trabalharam com afinco, contribuindo para a expansão da agricultura de subsistência e realizando um bom número de diferentes atividades necessárias ao funcionamento da sociedade. Por isto nós os reverenciamos!

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